Tuesday, September 26, 2006

Diferenças

Tudo bem que nós somos latinos, e isto explica sermos passionais. Também somos Brasileiros, um indicativo de amabilidade e solicitude, mas o outono trouxe um comportamento um pouquinho diferente do que eu esperava.

Há anos trabalho com o pessoal dos Estados Unidos e já estava acostumado ao modo anglo-saxão de comportamento. São mais reservados e sisudos principalmente no que se referia ao trabalho. E também já vi muita patada sendo desferida em ambientes de trabalho e universidades, mas confesso, o modo daqui me surpreendeu um pouco.

Se vc fica no seu canto, não pergunta nada e faz o que precisa, ótimo. Ninguém te incomoda e trocam-se sorrisos. Mas trabalho significa problemas a serem resolvidos e interação. E aí que achei certa diferença.

Ah, é preciso lembrar que estou levando em conta que a mesma expressão tem significados diferentes para nós. Por exemplo, se alguém diz que vai fazer algo, responde-se sem pestanejar: "Bom para você". Para nós pareceu que estava-se falando "E eu com isso, idiota?", mas como todos seguiram sorrindo e usando esta expressão, logo estaremos fazendo o mesmo.

O problema é quando ninguém está alegre. Se alguém lhe vem perguntar algo que não é você que deve resolver, o mais 'assertivo' seria, talvez, um: "Infelizmente isso não é de minha responsabilidade. Você já tentou procurar o departamento X?". O sistema local diz: "Não me importo, não é meu problema". Mesmo numa reunião após ter oferecido ajuda e resolvido algo para um colega de trabalho, ao questionar sobre algo no meu projeto ouvi "Ah, mas aí é problema seu".

Mesmo quando eu e um gerente estávamos para entrar numa sala de reunião reservada, e o grupo que ainda estava lá deu a entender que gostaria que trocássemos com eles, pois seria mais fácil se não tivessem que se deslocar, a resposta foi "Por acaso você acha que eu me importo?" E já foi sentando-se à mesa antes dos outros sequer levantarem. Ele tinha razão no conteúdo, mas a forma...

Logo vamos adotar isso em casa, para adaptarmos melhor à cultura local. Por exemplo:
- Antes de chegar em casa, vou passar no mercado. Sabe se precisamos de pão de forma?
- Se vira, não é problema meu. Por falar nisso, vou chegar mais cedo e passar na lavanderia hoje.
- Bom para você.

:o)

10 comments:

Mirella Matthiesen (mikix) said...

ehehehheheeh... to rindo aqui...
Minha experiencia esta sendo um poquinho mais positiva, mas esse negocio de passar a bola eh normal... tipo assim, passa a batata quente, nao segura que o negocio sobra para vc :0).
Essa do Good for you, eu tambem estranhei no comeco, mas hoje eu falo na boa ehehehhe..
bjs
Peninha que nao te vi no ultimo final de semana

quebecois said...

É isso, a pessoal daqui a pouquinho estarei ai junto com vocês curtindo esse frio maravilhoso de -40 Cº. (risos). Gente, parabéns pelo blog ta fantástico. Muito sucesso pra vocês e como vou pra Quebéc, A tout à l'heure!.

PAOLA SILVEIRA said...

Gente do céu, Deus os livre dessa forminha EDCADÍSSIMA de se dirigir a alguém, e eu , por aqui sou chamada de chata por ser muito acelerada e as vezes isso passar por grosseria, AVE MARIA , SAI PRA LÁ!!!HEHEHEH
Abraços e fiquem com DEUS!!!
PAOLA

Fabi said...

Essa semana eu tava no metro e a senhorinha estava conversando com o netinho... Ele contando que tinha conseguido sei la o que e ela respondendo: Good for you, good for you, com toda aquela falta de expressao que ja conhecemos!!! O povo estranho!!!!!!

Leslie Beatrice Diorio said...

Oi Dani! A Paula me contou que vcs já se conheceram! ô mundo pequeno hein? Vc acredita que eu sempre lia o seu blog, mas nunca imaginei que fosse seu? Fico feliz em saber que vcs ficaram amigos. Paula e Mauricio foram meus companheiros durante muitos anos por aqui. São pessoas especiais, pode apostar! Espero um dia poder visitar vcs aí em Toronto e nos reunirmos em uma mesa de bar para conversar. Este era nosso principal programa por aqui. Bjs Leslie

ROGÉRIO & LUCI said...

Sabe que a minha maior dificuldade de adaptacao aqui ainda é no ambiente de trabalho (sempre falo pra Lu). Sinto muito a falta de cooperativismo que tinha la no Brasil. Onde trabalho a maioria é de origem russa, entao forma-se a "mafia russa" e o resto é excluido. Alias existem varias "mafias" aqui: as indianas, russas, chinesas... e como sou o unico brasileiro na roda, acabo sambando sozinho.

Anonymous said...

Eu ainda vou saber o que é isso... mas sei que vou estranhar... :)

Bjos

Anonymous said...

Aqui é meio parecido, eles dizem que não querem saber.... E já ví briga no meu antigo trabalho sendo que minutos depois já estavam super bem, eu não entendo...

Anonymous said...

Oi Rafa e Dani, estava lendo o blog e realmente me identifiquei. Hoje mesmo estava comentando isso com uma brasileira que trabalha na minha área. O pior de tudo é que onde trabalho, 90% das pessoas são da América do Sul, mas nem por isso colaboram ou ajudam os outros. E tem mais: 5 horas elas vão embora e não querem saber! Mesmo depois de quase 9 meses no banco ainda não me adaptei. Beijos,Carol

Anonymous said...

Bom, o negócio às vezes é um pequeno desentendimento linguistico... O "good for you" não tem nenhum sentido negativo ou que a pessoa não está interessada no que vc tá falando. O equivalente portugues seria "que legal!" E muitas vezes "I don't care" tem um sentido mais de "Eu não ligo não, por mim tudo bem".